Tal como os telefones se transformaram em smartphones, o 5G vai transformar as cidades em que vivemos em smart cities. O que vai mudar? Quase tudo. Eis o relato de um futuro que está prestes a chegar.



Nos anos 60 do século passado, a série de desenhos animados Os Jetsons — lembra-se? — fez uma série de previsões futuristas inadvertidamente acertadas. Falhou nos carros voadores que se guardavam dobrados numa mala e nas torres de apartamentos que rasgavam a estratosfera mas acertou em cheio numa série de objetos e possibilidades tecnológicas que hoje são uma realidade: robôs-aspiradores, relógios que fazem chamadas, despertadores que falam, hologramas, drones, jetpacks e comida instantânea.

O que Os Jetsons não previram, contudo, foi a forma como as inovações tecnológicas poderiam ser postas ao serviço das cidades e não apenas dos indivíduos que nela habitam. É o que acontece com o 5G — a última geração de rede móvel, que vai permitir velocidades de transferência na ordem dos 10Gbps (gigabytes por segundo). Para se ter uma referência, a chamada 1G, primeira geração de rede móvel, criada há 40 anos, operava a uma velocidade máxima de 2,4kbps (kilobytes por segundo). Ora, se em cada gigabyte há mil megabytes e em cada megabyte existem mil kilobytes, como disse um dia o então primeiro-ministro António Guterres: é fazer as contas.

As velocidades estonteantes e a baixíssima latência (o tempo entre o envio e a recepção da informação) do 5G não nos vão permitir apenas descarregar filmes inteiros em fracções de segundo ou ver vídeos, transmissões em directo e ouvir álbuns em streaming sem sentir quaisquer quebras. Também, mas não só. O que o 5G vai permitir — e essa é que é a grande novidade — é que as cidades cobertas pela rede passem pela mesma transformação digital que muitas empresas e casas residenciais já passaram ou estão a passar, tornando-se verdadeiras smart cities.





Mas, afinal, o que são smart cities?



Soa a coisa do futuro mas não é assim tão futurista: estima-se que o 5G possa começar a chegar oficialmente às cidades portuguesas em 2020. As smart cities (ou cidades inteligentes, se preferir) são cidades cujos sistemas de gestão das mais variadas áreas — do trânsito à iluminação, dos resíduos à segurança, do abastecimento de água à resposta a emergências — vão poder automatizar-se, comunicar entre si e, assim, tornar-se muito mais eficientes, beneficiando diretamente da largura de banda e da velocidade do 5G. Será essa a sua inteligência.

Mas vamos a exemplos concretos. Numa cidade inteligente, os sistemas de tráfego vão saber identificar os pontos mais críticos do trânsito em tempo real, permitindo que determinados semáforos, por exemplo, possam ficar abertos durante mais tempo para ajudar a escoar os engarrafamentos. Ficar parado num sinal vermelho quando não há ninguém a cruzar a estrada será coisa do passado — os semáforos funcionarão à medida da necessidade do trânsito e peões. Mais: quando os veículos autónomos se massificarem todos os automóveis estarão em comunicação constante e terão a capacidade de adaptar as rotas e a velocidade ao tráfego existente para evitar paragens, encurtando assim o tempo das viagens. Adeus filas de trânsito? Muito possivelmente.



Os responsáveis pelos transportes públicos, por seu lado, poderão também eles medir segundo a segundo as necessidades dos cidadãos, reforçando ou diminuindo a oferta em determinados percursos, conforme mais ou menos pessoas estejam nas paragens.

Já em situações de perigo ou emergência ou perigo, será possível conduzir remotamente veículos de socorro ou maquinaria pesada, diminuindo o tempo de resposta e aumentando a segurança. A vigilância em certas áreas — como por exemplo praias — pode beneficiar e muito da automatização: um drone equipado com uma câmara de longo alcance será capaz de identificar uma situação de afogamento muito mais depressa do que um simples nadador-salvador com binóculos.

A iluminação das estradas, das ruas e dos edifícios, bem como a sua climatização, também poderá tornar-se muito mais eficiente. Será possível ligar e desligar luzes e/ou ar condicionado à medida das necessidades. Nas ruas, os candeeiros poderão acender-se apenas à passagem de transeuntes, em vez de estarem continuamente acesos. O mesmo será válido para os sistemas de rega, gestão de resíduos — imaginem-se, por exemplo, contentores inteligentes, que comunicam com a central a necessidade de recolha — ou de abastecimento de água. Ou seja, cidades inteligentes serão, também, mais amigas do ambiente.

E porque é que é preciso o 5G para tudo isto? Porque só uma rede móvel com a sua capacidade conseguirá responder às necessidades destes sistemas, permitindo a sua interligação constante. As potenciais melhorias na vida das cidades — e, consequentemente, dos cidadãos — torna o 5G uma grande aposta da NOS, operadora que tem estado na linha da frente da sua implementação em Portugal, tendo constituído parcerias com quatro municípios: Oeiras, Lagoa, Moita e Vila Nova de Famalicão, onde algumas destas soluções estão já a ser testadas. Porque o futuro está aí.

Fonte: Observador