Caros Stakeholders,

Quando vos escrevi no ano passado por esta altura, partilhei a visão da NOS para a liderança na inovação tecnológica, e o seu importante contributo para a construção de uma sociedade mais produtiva, socialmente justa e ambientalmente mais consciente. As competências digitais, as melhores e mais amplamente disponíveis redes de nova geração e a integração de tecnologias digitais emergentes são fatores que consideramos essenciais para concretizar essa ambição e oferecer a melhor experiência possível aos nossos clientes.

Mal podia ter imaginado até que ponto essa visão seria posta à prova durante a turbulência social e económica, sem precedentes, causada pela COVID-19 ao longo de todo o ano de 2020 e que ainda persiste em 2021. Durante o confinamento inicial, em março, empresas, escolas e outros serviços públicos e governamentais foram forçados a entrar em modo de teletrabalho a uma velocidade vertiginosa. As empresas foram obrigadas a responder a grandes interrupções nas suas cadeias de fornecimento e procedimentos operacionais, enquanto tentavam manter os seus negócios em funcionamento. Na NOS, o programa de transformação digital que temos vindo a implementar desde o início de 2018, colocou-nos numa vantagem única para, não só reorganizar as nossas próprias operações para regime de teletrabalho em menos de uma semana, mas também para partilhar o nosso conhecimento e experiência com os nossos clientes e ajudá-los a ajustarem-se rapidamente à nova realidade. A nível interno, a nossa maior prioridade foi garantir que os nossos colaboradores e famílias se encontravam bem, física e psicologicamente, e assegurar a continuidade dos serviços essenciais que mantêm as famílias e empresas portuguesas ligadas, e com acesso aos serviços públicos essenciais. Alargámos o apoio material e os benefícios a instituições de saúde, funcionários públicos e comunidades mais vulneráveis, trabalhando lado a lado com as autoridades para fornecer dados em tempo real durante todas as fases da pandemia. Apoiámos a nossa economia, através do alargamento de termos contratuais e financeiros mais favoráveis durante a duração do confinamento.

A nossa capacidade de adaptação e a manutenção dos negócios com níveis mínimos de interrupção aproximou-nos dos nossos clientes, reforçando ainda mais o sentido de comunidade e pertença. Apesar do ambiente económico desafiador, continuamos a investir na implementação e atualização das nossas redes e plataformas de comunicações, inovando continuamente através do lançamento de novos produtos e serviços. Simultaneamente, fomos capazes de manter o ritmo dos nossos programas de transformação, de retenção de talento e de recrutamento, fortalecendo a nossa organização para os desafios do futuro. O ano passado mostrou para além de qualquer dúvida que não podemos controlar cada fator de risco, independentemente do quão bem preparados estejamos, mas também representou uma oportunidade única para reavaliar como gerimos as nossas empresas e instituições, o quão eficiente somos na alocação dos nossos recursos e, em última análise, o quão capazes somos de avaliar e de gerir riscos. A adoção de tecnologias online e digitais por consumidores e empresas explodiu e, embora parte desse impulso digital possa diminuir quando a vida começar a voltar ao normal, é razoável supor que grande parte da mudança verificada se consolide de forma permanente.

Enquanto elemento-chave do ecossistema empresarial e tecnológico português, levamos muito a sério a nossa responsabilidade ambiental e social. Neste período, a NOS reforçou o seu compromisso para com a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e a adoção dos princípios do Pacto Global. O nosso compromisso com a sustentabilidade assenta na firme convicção de que apenas empresas socialmente responsáveis, que trabalham proactivamente para combater as alterações climáticas e para desenvolver comunidades inclusivas, justas e diversificadas, criarão valor de longo prazo e, em última análise, gerarão retornos mais atraentes e prosperidade para todos os stakeholders. Temos um papel fundamental como promotores de práticas mais sustentáveis, com a ambição de transformar vidas através da digitalização, garantir acesso à banda larga para todos e promover programas de alfabetização e competência digital, que ajudarão consumidores e empresas a aproveitar ao máximo este potencial de transformação. O contributo da NOS assenta numa estrutura de gestão e de governança responsável, na qual prevalece uma cultura de meritocracia, reconhecimento do valor individual e desenvolvimento contínuo da nossa base de talentos.

Os resultados operacionais e financeiros que alcançamos em 2020 atestam a resiliência do nosso negócio de telecomunicações e a força do nosso modelo operacional. Demonstram que a própria natureza dos serviços que prestamos, a indivíduos, famílias, empresas e instituições públicas, são absolutamente essenciais para o dia-a-dia. Se desconsiderarmos o impacto que as restrições de viagens e distanciamento social provocaram e que afetaram o nosso fluxo regular de receitas de roaming, cinema e canais de desporto premium, teríamos continuado a aumentar o nosso negócio global. Não obstante a implementação de medidas de eficiência, não foi possível compensar a redução das receitas com uma redução de custos e, como tal, observámos uma queda anual na nossa rentabilidade operacional. Num ambiente económico negativo, durante 2020 acelerámos o ritmo de implementação da nossa rede, expandindo ainda mais as nossas capacidades e cobertura de rede fixa de nova geração, ao mesmo tempo que preparamos o caminho para a implantação 5G. Também fomos pioneiros num acordo estratégico de partilha de rede móvel que, além de oferecer um aumento significativo na cobertura, se traduzirá em eficiências materiais, evitando futuros investimentos de rede e custos operacionais, ao mesmo tempo que contribui de forma significativa para reduzir os impactos ambientais, através da redução do número de instalações e da partilha da infraestrutura atual.

O ano passado foi ainda marcado por um grau inexplicável de antagonismo do regulador português de telecomunicações face ao setor, que se materializou na confirmação de um enquadramento injusto e legalmente questionável para o processo de leilão 5G. Neste contexto, continuaremos a perseguir todas as vias legais e regulamentares à nossa disposição de forma a garantir que as condições de concorrência possam ser restauradas. Apesar dessa hostilidade regulatória incompreensível, continuamos firmemente comprometidos com a nossa ambição estratégica de liderar inequivocamente em 5G e com a entrega da melhor experiência digital ao cliente, enquanto construímos as bases para a competitividade de longo prazo e para um modelo organizacional totalmente dimensionado para esta nova era.

Os meus sinceros agradecimentos a toda a Equipa NOS, colaboradores e membros da comissão executiva, por trabalharem tão arduamente para garantir que cumprimos a nossa promessa aos clientes em circunstâncias extremamente difíceis. Agradeço também aos nossos clientes, fornecedores e parceiros por continuarem a depositar a sua confiança na nossa Empresa e nos nossos órgãos de gestão, e por nos orientarem e apoiarem de forma unânime ao longo do ano.

Miguel Almeida