Tecnologia de Drones 5G para monitorização do Porto

1° Porto 5G: um mar de oportunidades para Leixões

Pilar fundamental para a economia nacional, o Porto de Leixões moderniza-se e abre as portas ao 5G para navegar em águas mais tecnológicas e seguras. Um caso de sucesso onde atracam drones de última geração.

15 de outubro 2021

Quase 90% do comércio mundial realiza-se pela via do transporte marítimo, de acordo com a organização International Chamber of Shipping (ICS). Logo, é consensual dizer-se que os portos constituem um pilar fundamental na economia dos países. Portugal não é exceção. Os portos nacionais, enquanto plataformas de transporte, energia, indústria e a chamada “economia azul” - uma visão integrada do mar, com uma abordagem mais sustentável e inclusiva -, acrescentam valor à economia portuguesa e à sociedade em geral, garantindo-lhe prosperidade.

Num contexto internacional cada vez mais competitivo e global, os portos adaptam-se às novas exigências do mercado, para conseguirem responder com a mesma eficácia que a sua concorrência e para acompanharem a evolução tecnológica do próprio setor. Desenvolver e modernizar as infraestruturas, apresentar plataformas logísticas competitivas e apostar na digitalização e descarbonização para otimizar o transporte marítimo, maximizar o emprego no setor e aumentar as exportações são alguns dos exemplos de como os portos, em todo o mundo, têm evoluído para enfrentar o futuro.

Porto de Leixões, um caso de sucesso na economia nacional



Em 2020, e mesmo com o efeito da pandemia, o Porto de Leixões movimentou mais de 17 milhões de toneladas. Neste contexto, atingiu um novo máximo histórico de 703 919 TEUS (unidade de medida equivalente a um contentor de 20 pés), crescendo 2,6% face a 2019, o que sugere não só uma resiliência das empresas importadoras e exportadoras que operam na sua área de influência, mas também a capacidade do ecossistema portuário em adaptar-se rapidamente a alterações das condições do mercado. Leixões é o principal porto exportador do país em carga contentorizada e, globalmente, contribui para 7% do emprego em Portugal e 6% do PIB nacional.

Este crescimento tem acompanhado a intenção de modernizar cada vez mais este porto, seja a nível de intervenção nas infraestruturas portuárias, seja a nível da digitalização, onde se destacam projetos e a utilização de tecnologias como:

  • a implementação do projeto Portaria Única de Leixões (3PL), onde se utilizam tecnologias de visão computacional na automatização dos seus processos de entrada e saída de mercadoria;

  • o desenvolvimento da plataforma Janela Única Logística (JUL), em conjunto com os restantes portos nacionais, sistema que vem atualizar e estender a Janela Única Portuária (JUP) a toda a cadeia logística nacional, na interligação com os meios de transporte terrestres, com os portos secos e com as plataformas logísticas, numa lógica intermodal;

  • o centro de simulação da APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo - com os equipamentos mais atuais de simulação para operações marítimas, fluviais e terrestres, os Full Mission Bridge Simulator e o Simulador de Equipamentos Terrestres, que permitem o treino de profissionais em cenários realistas;

  • o desenvolvimento de um gémeo digital, em que se pode acompanhar e gerir o risco da carga perigosa.

Como afirma Hugo Bastos, diretor de sistemas de informação da APDL, “a tecnologia já é, hoje em dia, fundamental no suporte ao negócio dos portos. No entanto, temos vindo a assistir a uma transformação digital, em que à semelhança de outras indústrias e outros negócios, a introdução de novas tecnologias digitais de potencial disruptivo está a mudar radicalmente os portos”. Hugo Bastos fala, nomeadamente, do 5G, Blockchain, IoT, Smart Sensoring, Big Data, Analytics, IA (Machine Learning/Deep Learning), simulação, entre outras tecnologias, que estão “prestes a mudar radicalmente a forma como os portos operam, como são mais eficientes, mais verdes e como se integram nas cadeias logísticas”.

Tecnologia de Drones 5G para monitorização do Porto


À boleia da primeira cidade 5G do país, em Matosinhos, que a NOS criou em 2019, o Porto de Leixões faz também parte da Zona Livre Tecnológica deste projeto-piloto da quinta geração móvel em Portugal, que compreende ainda outras zonas deste município. Numa parceria entre a NOS e a APDL, o Porto de Leixões está a virar mais uma página da transformação digital dos portos marítimos nacionais, com a introdução de drones conectados através da tecnologia 5G. Tecnologia esta que permite manipular esses mesmos drones de forma totalmente remota e em tempo real, transmitindo imagens de altíssima definição para a sala de comando e controlo do Porto de Leixões. Esta é uma solução tecnológica que desempenhará um papel preponderante neste porto, ao nível de segurança, custos, eficiência e previsibilidade.

O que os drones 5G podem fazer pelo Porto de Leixões?

  • Ajudam às manobras dos navios realizadas dentro do porto - o drone irá captar as imagens em tempo real e transmiti-las para um tablet que está dentro do navio para auxiliar o piloto nessas mesmas manobras, com transmissão também para a sala de comando e de controlo que igualmente apoiará o piloto.

  • Apoiam na manutenção de infraestruturas em tarefas de inspeção habitualmente feitas com gruas e com pouca frequência, uma vez que exige o apoio de um conjunto de andaimes e de vários recursos humanos. Com a utilização de drones a necessidade de manutenção pode ser avaliada a qualquer momento, inspecionando ao detalhe qualquer uma das infraestruturas e informando alguma deficiência ou corrosão detetada para se dar início à sua manutenção.

  • Apoiar a APDL na segurança de todo o Porto de Leixões - os drones podem fazer a segurança de todo o perímetro do Porto de Leixões, com muito menos custos e uma maior flexibilidade.

  • Apoiar a APDL na gestão e coordenação de meios, em caso de incidente, obtendo informação situacional precisa e em tempo real do incidente, permitindo assim uma resposta mais efetiva, mais direcionada e uma melhor coordenação de meios.

 Drone sobrevoando o porto para monitorização


O 5G, através de funcionalidades possibilitadas pela rede de quinta geração, no apoio à automação e a ações de inspeção, promove e aumenta a qualidade de deteções e a sua correspondente captação de dados para análise de melhorias futuras. Também através de sistemas inteligentes de deteção automática e vídeos de alta resolução, com identificação automatizada de intrusos nas instalações da APDL e com o envio imediato dessa informação para os responsáveis de segurança, a Internet 5G tornará o Porto de Leixões num local muito mais seguro.

A rota de voo do drone pode ser ainda pré-configurada ou dinâmica, com uso de visão computacional e transmissão em tempo real. Os aparelhos podem comandar-se através de um centro de controlo, nas instalações ou remoto, através de um operador que detete ou que suspeite de uma anomalia, ou através de um calendário de controlo de qualidade. Com as redes hiperconectadas no Porto de Leixões, permite-se melhorar em muito a operação e a sua segurança, mas também a vertente ambiental, como a monitorização da qualidade do ar e do ruído em tempo real. “Resumindo, as tecnologias estão a mudar os portos, tornando-os mais sustentáveis, quer na vertente económica, uma vez que estarão mais integrados nas cadeias logísticas inteligentes, serão mais rápidos, mais fluídos, mais previsíveis, mais ágeis, mais seguros e com menor custo, quer na vertente ambiental, serão mais verdes, a caminho da descarbonização e no caminho de uma rede logística verde”, concluiu Hugo Bastos.

O 5G mais uma vez como resposta fundamental àquilo que é a indústria 4.0. Este projeto-piloto do Porto de Leixões, implementado de raiz pela NOS, é apenas mais um passo em direção à era tecnológica nas redes logísticas, que tem como base uma arquitetura digital construída com alicerces de segurança, flexibilidade, eficiência, fiabilidade, redução de custos e sustentabilidade. Uma obra inovadora que nasce no presente, com os olhos no futuro, mais um exemplo do país que faz, o que ninguém fez.

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