Gaming e o 5G

O futuro de muitas empresas está na Realidade Aumentada

Nuno Folhadela, CEO da ONTOP, afirma que o 5G permite massificar o conteúdo de Realidade Aumentada e educar o público, para o setor crescer.

22 de fevereiro 2022

Quando Nuno Folhadela criou a ONTOP Studios, em 2018, apresentava os seus projetos e ideias para jogos em realidade aumentada (AR) a empresas e a reação era sempre de alguma descrença. Sem o 5G e com uma transmissão de dados lenta, muito conteúdo gráfico, por exemplo, era perdido ou era mesmo impossível. Muitos não acharam esta forma de entretenimento uma boa aposta, mas a ONTOP sempre acreditou no potencial da tecnologia. Hoje é uma das empresas mais conceituadas do mundo no desenvolvimento de conteúdo em realidade aumentada e o 5G prova mais uma vez que sempre estiveram no caminho certo.

" “Quisemos ser nós a descobrir e a ditar as regras do mercado. Queremos ser o Netflix da AR”, assume Nuno Folhadela, CEO da ONTOP

“Há cinco anos éramos loucos”, recorda Nuno Folhadela. Persistiu e hoje, com as capacidades do 5G em termos de velocidade e transmissão de dados, os jogos e entretenimento em realidade aumentada começam a ser uma tendência. Em 2021, por exemplo, a equipa de Nuno Folhadela criou um jogo AR para o conhecido filme Ghostbusters Afterlife.

A ONTOP investiu nesta área antes de ser lucrativa e o plano agora é produzir conteúdos para criar o apelo dos consumidores. “Quisemos começar muito cedo para sermos nós a descobrir e a ditar as regras do mercado. Queremos ser o Netflix da AR”, assume o CEO.

Mais interação em realidade aumentada com 5G

A startup já esteve em locais tão diferentes como o Qatar ou o Porto de Leixões, para apresentar ao grande público algumas das suas ideias mais inovadoras. Como? Com os seus jogos ARcade Sports. Neles “podemos interagir com elementos reais e com hologramas, que também interagem com o jogador”, ao contrário do que acontece nas atuais experiências AR através do smartphone, em que apenas o jogador tem algum tipo de interação com o objeto virtual, como no conhecido jogo Pokémon Go.

Para dar o salto em termos de interação é preciso que os óculos AR cheguem ao mass market - marco que o fundador da ONTOP aponta para 2025 - e até lá há muito para fazer. “O nosso trabalho é fazer conteúdo e experiências para criar procura”, explica Nuno Folhadela, lembrando que os óculos já existem mas, além do preço, não são apetecíveis porque não há muito que fazer com eles. “Temos a tecnologia, mas não há conteúdo.”

" Até os óculos AR se massificarem, a ONTOP quer apostar nos ARcade Sports, ‘salões de jogos’ para realidade aumentada

Em 2022, a startup portuguesa vai investir mais na produção de conteúdo e na sua divulgação junto do grande público - que ainda tem dificuldade em distinguir realidade aumentada da realidade virtual, nota Nuno Folhadela. Para ajudar nessa missão pedagógica, Nuno Folhadela quer criar salas onde se pode ir com amigos para jogar ARcade Sports - um pouco à semelhança do que acontecia com os antigos salões de jogos.

Será uma oportunidade para testar o hardware que ainda não se tem em casa e perceber a filosofia que a ONTOP está a criar: entretenimento virtual que não oculta a realidade mas que, pelo contrário, incentiva o jogador a interagir com ela, com os hologramas e com outros jogadores. Tornar jogos multiplayer disponíveis para grupos de 10 pessoas (até agora, quatro é o máximo) é outra das metas que só será possível agora, com a entrada do 5G em cena.

3D streaming vai destronar os ecrãs

Segundo Nuno Folhadela, o 5G vai também fazer florescer outra das áreas definidoras do futuro: o 3D streaming. “Imaginemos que estamos a ver um jogo com o Cristiano Ronaldo. Com o 3D streaming [e os óculos AR] podemos vê-lo em cima da mesa [numa escala mais pequena], ou em tamanho real. Podemos estar a viver a experiência e a aprender com ele”, explica. Será possível escolher ver um jogo em 3D na nossa sala e, quando assim for, Nuno não tem dúvidas: “a partir do momento em que tens uma experiência imersiva, o ecrã deixa de ser o meio preferencial”.

Nuno Folhadela antevê que os óculos AR vão substituir os ecrãs para o entretenimento e para o trabalho, mas para isso, mais uma vez, “é preciso começar a massificar em termos de conteúdos para depois vendermos o hardware”. Esta é a chave para o crescimento deste setor.

Oculos AR

AR já está em grande crescimento nas empresas

O que está a acontecer com a AR para empresas é, para o fundador da ONTOP, um bom indicador. “As soluções B2B estão a crescer a olhos vistos, é no segmento corporate que a implementação é maior e que, neste momento, se está a fazer mais dinheiro. Há empresas de instalação de painéis solares que só trabalham com AR e há o exemplo da Microsoft”. O gigante da informática lançou os HoloLens 2: óculos holográficos, autónomos e ergonómicos que permitem a criação de uma “realidade mista”, em que informações ou manuais de instrução e apoio técnico aparecem em holograma sobre a realidade. Exemplo disso é o sistema que já existe na Sumol+Compal, ou as soluções criadas pela KIT-AR.

Para Nuno Folhadela, é mais do que uma questão de produtividade e entretenimento, é também uma questão ecológica. “A maior revolução verde vai ser a realidade aumentada, que vai substituir todos os ecrãs”, diz Nuno. Com óculos vamos aceder a tudo o que está, por agora, na televisão, no computador, num smartphone ou num smartwatch. Mas até lá, “há muito para educar” e em 2022 dá-se ao grande público uma pequena amostra do que vai ser o futuro com o 5G.


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