Nómadas Digitais

A NOS e a Madeira juntam-se para criar o destino perfeito para nómadas digitais

O arquipélago é um dos melhores destinos do mundo para trabalho remoto.

14 de abril 2022

As paisagens deslumbrantes, os mergulhos no mar e os trilhos pela floresta laurissilva fazem da Madeira o destino turístico mais antigo do país. Mas o turismo evoluiu e é significativo o número de pessoas que procura conjugar o trabalho com experiências e a estadia de alguns meses num paraíso estrangeiro. Para criar condições para que viajantes de todo o mundo possam viver e trabalhar a partir da Madeira, nasceu o projeto Digital Nomads Madeira Island.

Ponto de partida: um espaço de cowork

No final de 2020, o Governo Regional da Madeira apostou em criar oferta para os nómadas digitais, com espaços de trabalho e uma rede rápida, forte e segura fornecida pela NOS.

O investimento do Governo Regional da Madeira foi de 25 mil euros, segundo o Secretário Regional de Economia da Madeira, Rui Miguel Barreto. Este foi o custo da renovação do Centro Cultural John dos Passos, na Ponta do Sol, e da sua preparação para receber trabalhadores que têm de estar sempre ligados à rede. Este foi o local escolhido para o lançamento do projeto piloto, em novembro de 2020.

“A rede de internet foi essencial para que os nómadas digitais que nos visitam pudessem trabalhar da Madeira para o mundo. Temos aqui a infraestrutura adequada para que todos estejam em wireless e a trabalhar remotamente, com as exigências que têm as áreas da programação ou do design. Ou seja, estamos a falar de pessoas que trabalham com diferentes tecnologias e que encontraram aqui soluções para o seu trabalho diário”, diz Carlos Lopes, Presidente Executivo da Start Up Madeira, que gere o projeto.

Uma rede “forte, estável e segura” era condição primordial, continua Carlos Lopes. Em parceria com a NOS, este centro cultural ganhou mais uma valência e abriu um novo capítulo na sua vida: todos os dias está cheio, em contacto com todo o mundo e é palco de networking e das mais diversas atividades.

Atrair nómadas para uma município? Sem vínculos nem burocracia

O cowork do Centro Cultural John dos Passos pode ser o espaço de trabalho de todos aqueles que se inscreveram como nómadas digitais no projeto Digital Nomads Madeira Island. O processo não é burocrático — pelo contrário. Não cria nenhum vínculo ou compromisso com a Start Up Madeira ou com o Governo Regional e oferece muita autonomia e flexibilidade aos nómadas digitais. Dado o estilo de vida destes viajantes e profissionais, estas são características essenciais para o sucesso do programa, explica Carlos Lopes.

O sistema que a Start Up Madeira criou permite que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, preencha uma inscrição no site do projeto Digital Nomads Madeira Island com dados simples como o nome, profissão e nacionalidade. A Start Up Madeira envia depois um email personalizado com indicação, não só dos melhores sítios para trabalhar na ilha, mas também de empresas que podem contactar para alojamento, rent-a-cars, restaurantes com opções para dietas específicas.

“Uma comunicação feita com um nómada que vem dos Estados Unidos é diferente de um nómada que vem da Ásia”, justifica Micaela Vieira, Gestora de Projeto da Start Up Madeira, a necessidade de personalizar as comunicações. “Tentamos agilizar o momento de marcação de viagens, embaixadas, vistos. Também por isso temos parcerias com alguns advogados de emigração para que à medida que nos chegam pedidos muito específicos — para ficar mais de 90 dias, por exemplo — façamos essa ligação direta com advogados desta área. Tentamos sempre personalizar e dar este toque único que eu acho que é bem português.”

Baixo investimento público, elevado retorno na economia

Atualmente são mais de 9 200 inscritos e a Madeira é já considerada um dos melhores destinos para nómadas digitais. Há uma noção clara do impacto que o investimento (relativamente baixo) neste projeto teve na economia. No prazo de um ano conta-se “um impacto na economia na ordem dos 27 milhões de euros, o que é muito significativo. Estamos a falar de cerca de 5 mil nómadas digitais na Região Autónoma da Madeira, remotamente, que gastam, em média, 1800 euros por mês e portanto é um impacto muito significativo”, revela o Secretário Regional da Economia da Madeira.

Este dinheiro causa impacto direto nos negócios dos madeirenses, já que é gasto pelos viajantes em alojamento, restaurantes ou experiências turísticas. O envolvimento de toda a comunidade local da Ponta do Sol foi convocado pelos gestores do projeto e, em tempo de pandemia, este foi um balão de oxigénio para uma localidade bastante apoiada no turismo.

Susana Silva tem uma empresa de alojamento local e através dela gere algumas casas na Ponta do Sol. Conta como se viveu o inverno entre 2020 e 2021, com a chegada de um novo público à Ponta do Sol: “o meu negócio acabou por ter algum tipo de alteração depois da chegada dos nómadas. Passámos por um confinamento praticamente sem clientes. Acabou por ser uma lufada de ar fresco para nós, porque conseguimos, de certa forma, ocupar as casas que estavam disponíveis”.

Os pequenos negócios adaptam-se ao novo público

Outros gestores e proprietários de alojamentos acabaram por adaptar a sua oferta e colocar as casas no mercado com preços para um mês, três meses ou mais, ao contrário da tarifa diária típica do setor turístico. Mas o alojamento não foi o único setor que teve um impacto positivo pela fixação dos Nómadas Digitais à Ponta do Sol.

“Nós [empresários da zona] começámos mesmo a falar com donos de restaurantes e avisar que deveriam estar um bocadinho mais sensíveis a este público: num prato do dia poderiam ter uma opção vegetariana, porque existia muita gente nova que ia almoçar cá e assim tinha sempre uma alternativa”, diz Susana concluindo que esta transformação da Ponta do Sol num destino de nómadas digitais acabou por mudar a localidade. “Isto acabou por dar um ambiente muito mais cool à vila.”

Essencial: impulsionar a criação de uma comunidade

O ambiente e a comunidade de nómadas digitais é um dos pontos que distingue a Madeira de outros destinos para trabalho remoto — é este o feedback que a Start Up Lisboa recebe dos nómadas digitais que passam pelo arquipélago. Quando fazem a inscrição são adicionados numa comunidade de Slack onde estão outros inscritos, trabalhadores remotos que estão na Madeira e outros que já passaram por aqui. É uma plataforma de comunicação informal, de networking, onde se constroem conhecimentos que apoiam a chegada e a estadia de um novo membro. É também assim que se vai construindo uma agenda social de workshops que preenche as horas de lazer destes nómadas da Ponta do Sol.

“Em novembro de 2020 lançamos o projeto piloto, começamos a receber algumas inscrições através das redes de nómadas digitais espalhadas pelo mundo e, à medida que o tempo passou, criou interesse de vários meios de comunicação internacionais que lançaram notícias. A partir dessas notícias começamos a ter um número de inscrições muito maior do que esperado”, recorda Carlos Lopes. “Não houve grandes gastos na área da publicidade e marketing. Os primeiros visitantes começam a partilhar com quem está nos seus países de origem que a Madeira é um bom sítio para estar, viver e trabalhar remotamente”.

Este é um caso de estudo que mostra o que é essencial a outras autarquias que procurem a atenção das comunidades de nómadas digitais. O projeto Digital Nomads Madeira Island prova que um destino com 200 anos de história no turismo pode continuar a inovar na arte de receber e fazer evoluir a sua economia quando se apoia na rede da NOS, capaz de ligar o mundo.

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