UshowMe: É tempo de conhecer quem já está a fazer

Com 5G, um concerto é toda uma nova experiência

Concertos esgotados? Festivais longe? Com o 5G a UshowMe quer levar a cultura a todo o lado com espetáculos híbridos, em que fãs junto ao palco ou em casa vibram e interagem da mesma forma.

18 de março 2022

Com inspiração, determinação e tecnologia, uma boa ideia pode mudar o mundo. E em Portugal há muitas ideias a nascer, muitas empresas a apostar na tecnologia para inovar. A UshowMe é uma delas, quer levar a cultura para novos patamares de interação com streaming e espetáculos híbridos. E conta com as características de velocidade e latência do 5G para amplificar ainda mais a experiência ‘ao vivo’.

Hugo Castro, Luís Ferreira e Sisnando Felipe não se conheciam, não tinham um percurso semelhante, mas havia uma coisa que os aproximava: a tecnologia. Durante a pandemia, os três empreendendores juntaram-se ao movimento Tech4Covid19 - comunidade de voluntários de várias áreas -, e acabaram por criar juntos a ideia da UshowMe. Hugo Castro, o CEO, defende no entanto que as inovações desta plataforma de streaming de eventos já faziam falta antes na Cultura. “A indústria dos espetáculos ao vivo foi a que menos se transformou e menos inovou nos últimos anos, e por isso sofreu mais com a pandemia”, explica Hugo Castro, “daí terem tentado ir para as redes sociais, onde baixaram o nível de experiência que é um espetáculo ao vivo”.

" “Nós conseguimos amplificar os espetáculos ao vivo para híbridos, trazendo novas experiências e gerando novas fontes de receita”. Hugo Castro, CEO da UshowMe

É precisamente na ‘experiência’ que a UshowMe se pretende destacar, ao gerar uma interação muito maior entre o público, os artistas e todas as outras entidades envolvidas. “Nós conseguimos amplificar os espetáculos ao vivo para híbridos, trazendo novas experiências, e também novas fontes de receita para os profissionais de espetáculos, sejam produtores, agentes, editoras ou artistas, já que será possível aumentar exponencialmente o número de pessoas a assistirem a um espetáculo. E também uma interação mais vibrante entre os artistas e as audiências”, define Hugo Castro, que tem na bagagem uma carreira de mais de 20 anos ligada ao setor da música.

Mas o que são afinal os espetáculos híbridos? “Um espetáculo híbrido tem a componente física, a audiência que está a participar fisicamente, mas também tem uma audiência que está a participar virtualmente, e que pode estar em qualquer parte do mundo”. Mas o ‘participar virtualmente’, neste caso, é muito mais do que apenas assistir a um streaming tradicional, ganhando toda uma nova força com a plataforma UshowMe, continua o CEO: “Permitimos que as pessoas se liguem através da sua câmara, temos filtros de Realidade Aumentada, e os vídeos são vistos também pelos artistas, que podem interagir com a audiência. Isto traz uma proximidade que é, na realidade, aquilo que nos faz ir a um espetáculo, ou seja, não é só pela música, mas também por todas as pessoas que estão ali connosco a partilhar da mesma experiência”.

Uma plataforma de espetáculos em que todos ganham

Os fundadores da UshowMe entendem que o mundo dos eventos ao vivo tem ineficiências. Muito do dinheiro que é gerado sai do bolso dos fãs, mas pode não chegar aos artistas ou às produtoras, perdendo-se numa cortina de fumo em que as marcas também estão excluídas. Por outro lado, “a cultura acaba por ser bastante mais cara do que o preço do bilhete, porque inclui a deslocação, alimentação e tudo isso”, afirma Hugo Castro, que vê nos espetáculos híbridos maior transparência e ganhos para todos os envolvidos das 4 vertentes que a plataforma procura interessar.

  • Artistas e editoras: Maior projeção do seu trabalho, interação com os fãs e receita extra de audiência digital, tanto dos espetáculos em streaming como de versões em formato video-on-demand;

  • Produtoras e salas de eventos: Um alargamento sem precedentes da ‘lotação’ para um espetáculo ou festival, além da atração de mais patrocinadores;

  • Marcas e patrocinadores: Chegar a mais público e a públicos diferentes, com uma melhor integração da marca ou produto num espetáculo, e uma medição de resultados mais concreta;

  • Público: Acesso a espetáculos com custos inferiores, chegar mais perto dos artistas e conseguir interagir com eles de forma virtual, contactar com toda a audiência e participar em espetáculos que podem estar a decorrer do outro lado do mundo.

UshowMe quer ‘subir o volume’ com o 5G

A startup fundada por Hugo, Luís e Sisnando foi uma das escolhidas para participar em 2021 no Acelerador 5G, promovido pela NOS e pela Amazon Web Services, em parceria com a Startup Lisboa. Esse contacto antecipado com a tecnologia 5G acabou por entusiasmar ainda mais os responsáveis da UshowMe. “Através do 5G, conseguimos fazer streaming de alta qualidade, que é muito importante em espaços abertos, ao ar livre, em zonas que antes eram inacessíveis, com uma latência praticamente inexistente”, resume Hugo Castro, explicando que isso permite “colocar as interações praticamente em tempo real”.

" “Queremos ser os primeiros a poder fazer espetáculos híbridos em 5G”, afirma Hugo Castro

Participar no Acelerador 5G foi “uma experiência gratificante”, segundo o CEO da UshowMe, que destaca também o contacto com o júri e com os mentores, e ainda a participação de especialistas internacionais convidados, como Mischa Dohler, que acrescentaram “pequenas informações e pequenas validações, e ajudaram muito no sentido de percebermos o que é que nós poderemos fazer com o 5G”. Para Hugo Castro, “o ecossistema de startups português precisa de mais iniciativas como o Acelerador 5G da NOS, especialmente porque dá acesso a tecnologias em primeira mão, o que permite crescer mais rápido”. Após o fim do Acelerador 5G, em junho, a UshowMe conseguiu organizar e transmitir no verão os primeiros espetáculos híbridos, em vários locais e testar melhor o conceito, como é o caso do concerto da Mema. Também foram uma das startups selecionadas como ALPHA para participar na Web Summit Lisboa, de 1 a 4 de novembro, o que trouxe ainda mais entusiasmo aos fundadores da plataforma de streaming e video-on-demand.

Também no final de 2021, a UshowMe fez sessões de teste mais consolidadas, no espaço de cowork LACS dos Anjos, em Lisboa. Nas ‘Green Sessions’, que juntaram vários parceiros, a ideia foi “mostrar como funciona um espetáculo híbrido, com audiência ao vivo e também em casa, com todas as interações da plataforma”, lembra Hugo Castro. A preparar a transição para 5G, a UshowMe usou logo vários smartphones para captar e transmitir imagens. Estando ligados por 5G, esses equipamentos não precisam de fios e podem fazer um upload instantâneo.

Os próximos passos da UshowMe também estão bem definidos, segundo o CEO Hugo Castro: “Queremos escalar para Espanha, que é um dos nossos objetivos muito importantes e começar a fazer streaming 5G de espetáculos em todo o lado”. O 5G pode expandir as emoções de quem vibra com um concerto, aproximar os fãs dos artistas e dos palcos, trazer novas camadas de interação entre todos. A UshowMe quer transformar o mundo da música e dos espetáculos e conta com a rede 5G para isso.

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